Foto: Mayara Laila

krítica kuir #6 — 5ª sessão com dú pente

09 Nov, 2020

Polítik

~ 13 min

por Bremmer Bramma

a 5ª sessão da quarta kuir politika começou como uma das mais performáticas das edições online. o ator e um dos fundadores da plataforma beijo, will soares, também conhecido por seu trabalho como a drag willa queer, recebeu o público vestido com uma montação especial, em homenagem ao candidato convidade da noite, dú pente. e com a alegria e irreverência de suas corpas, will e du iniciaram a conversa da noite do dia 4 de novembro de 2020 lembrando que a política se faz em todos os lugares e em todas as plataformas.

quando fala de política, dú pente fala de uma política que a garanta o direito à vida a todas as pessoas. “uma política que nos permita ser quem a gente é. uma política que combata a violência naturalizada. uma política que garanta a comida na mesa porque a fome é algo perverso. uma política em que as pessoas tenham direito à cidade e em que as riquezas sejam realmente compartilhadas”, o candidato defende.

dú lembra sua experiência no mandato coletivo da gabinetona, quando foi assessor de áurea carolina, atual candidata à prefeitura de bh. foi nesse período que ele percebeu de forma mais concreta que as cidadãs e os cidadãos que trabalham todos os dias e semanas, e batem cartão às 7 da manhã, não conseguem participar das decisões na câmara. du pente observa que numa sociedade capitalista que prioriza o dinheiro em vez da qualidade de vida da população, a maior parte das pessoas elegem vereadores que trabalham contra a população. isso precisa mudar.

em seu projeto político, o candidato prevê a criação de um aplicativo pra contato com as pessoas eleitoras, com o intuito de disponibilizar a elas o acesso a votações, críticas, sugestões, o compartilhamento do orçamento público da cidade, entre outros direitos. entendendo que é uma medida paliativa, uma vez que metade das habitantes de belo horizonte ainda não tem livre acesso à internet, du pente pretende doar parte do salário mensal do seu mandato pro desenvolvimento desse programa, que será entregue à população no 1º trimestre de 2022.

ele afirma que todas as pessoas precisam ter acesso à internet no país. “entendendo que a agência reguladora de internet no país é pública, no município é possível que esse acesso seja pra todes”, complementa. o candidato se compromete a lutar por esse direito em todos os equipamentos públicos da cidade. ele critica o fato de muitas escolas municipais terem um acesso precário à internet. e lembra que hoje, neste contexto de ensino à distância improvisado, a situação está ainda mais grave, já que muites estudantes não tem internet em casa.

du pente lembrou também a experiência da ocupação da câmara municipal de bh em 2013, um dos momentos de grande aprendizado em sua trajetória ativista. na época questionando, dentre diversas pautas, o transporte o transporte público de belo horizonte, ele lembra que até hoje a cidade tem um serviço de péssima qualidade e uma das passagens mais caras do país. além disso, nos últimos anos, a retirada dos cobradores e a imposição da dupla função pra muitos motoristas em circulação no município é algo que infringe as próprias regras de trânsito.

em seu mandato, du se compromete a lutar e aprovar a cpi da bhtrans na câmara municipal. “o que é uma cpi? uma comissão parlamentar de inquérito, em que as parlamentares podem investigar os valores praticados hoje pelas empresas de transporte na cidade. sabe-se que hoje nas cidade o valor das passagens poderia ser bem menor, enquanto os empresários seguem ganhando milhões”, ele explica.

du torce pela eleição de uma bancada progressista na câmara da cidade a partir de 2021. ele também pontua a dificuldade da população em acessar recursos públicos da cultura devido a um processo de burocratização dos editais públicos. “as pessoas mais contempladas são homens brancos, que se declaram heterossexuais, dos bairros mais privilegiados da cidade, e isso não é democrático”, alerta. e complementa lembrando que a própria ocupação dos espaços públicos, como teatros e centros culturais, é cercada de burocracias e acaba segregando a população.

o candidato também busca em seu projeto garantir às pessoas melhores condições de trabalho. pra dú pente, é fundamental garantir a segurança e a não-criminalização de trabalhadoras e trabalhadores de rua. permitir que artistas de rua e da periferia não sejam também criminalizados, nem enfrentem uma série de burocracias pra ocupar o espaço público da rua. “rap, sarau, passinho, funk, o poder público tem que apoiar e incentivar essas iniciativas”, diz. “já está comprovado que em territórios em que a cultura atua, o índice de vulnerabilidade e violência diminui”.

ele lembra a experiência e a história do bairro da lagoinha, importante pólo comercial no passado da cidade, hoje com muitos imóveis destruídos e fechados, numa região abandonada pelo governo municipal e muitas vezes associada à cracolândia, um caso de saúde pública. além disso, defende que é preciso levar os eventos públicos como o fit e o fan também pras periferias e pras favelas, já que hoje a maioria das ações e investimentos em cultura acontecem na zona centro-sul e leste de belo horizonte.

outra proposta do candidato é a criação do dia da favela. a data escolhida é o dia 4 de novembro, coincidentemente a mesma da live da última quarta-feira. “os serviços públicos que chegam na favela se resumem praticamente à segurança e a criminalização de suas moradoras e moradores. a galera da favela é quem sustenta esse país. vamos defender uma estratégia pra que a prefeitura se comprometa a executar os direitos e serviços básicos dessas comunidades. é um dia pra que a gente reivindique esse espaço. precisamos lutar pra democratizar a democracia”, afirma.

du pente também alerta pro fato de que não há hoje em belo horizonte um plano municipal de saúde que compreenda a política nacional de saúde integral da população negra. “e é preciso falar também da saúde mental. da violência policial. o medo de estar na rua. da falta de acesso à educação, emprego e qualificação. da falta de acesso à cultura e ao lazer”, destaca, lembrando que este é um processo de mudança a longo prazo, mas que precisa começar agora.

segundo dú pente, atualmente existe na câmara municipal da cidade uma facção religiosa que é contra o direito das pessoas lgbtcia+, das pessoas negras, da cultura e da educação. pessoas que criminalizam artistas, educadores e trabalhadores de rua. nesse sentido, o candidato se compromete a colocar em prática um projeto político que combata a desigualdade.

“quando a violência urbana reduz, todo mundo sai ganhando. precisamos caminhar juntes pra que uma política nova seja possível. pra que as pessoas voltem a ter vontade de viver. precisamos de pessoas pretas, transexuais, gays, pessoas da favela, nos espaços institucionais”. pro candidato, esse poder simbólico é fundamental pra inspirar mais pessoas.

dú pente também comentou a lei federal 10.639, uma lei do brasil que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e da cultura afro-brasileira dentro das disciplinas que já fazem parte das grades curriculares dos ensinos fundamental e médio no país. e é em homenagem a essa lei que dú pente usa o número 50639 em sua candidatura.

ao final do bate-papo, citando a pergunta “político tem cara de quê?” e reverberando todo o engajamento de dú pente na luta por uma outra forma de fazer política, will soares se emocionou e lembrou que a política tem que ter a cara de todes. inspirades por esse movimento, a quarta kuir politika chega à semana decisiva das eleições municipais com uma programação extra.

de terça até quinta, receberemos as candidates sara azevedo, iza lourença, jonatas aredes, alan rodrigues, jorge gabriel e duda salabert em novas conversas, todas as noites sempre a partir das 20h. a crítica cuír e a nossa programação continuam!

 
Bremmer Bramma

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